Doenças Gengivais e Periodontais
Entenda como surgem e como proteger seu sorriso
A gengiva e o osso que sustentam os dentes formam o que chamamos de periodonto. Quando esses tecidos estão saudáveis, eles mantêm os dentes firmes, protegidos e funcionais ao longo da vida.
As doenças gengivais surgem quando bactérias se acumulam ao redor dos dentes formando o biofilme dental (placa bacteriana). Esse acúmulo provoca inflamação e, dependendo da resposta do organismo, pode evoluir de uma condição leve para uma doença mais avançada.
Gengivite: a fase inicial e reversível
A gengivite é uma inflamação da gengiva causada pela presença prolongada de bactérias na região entre o dente e a gengiva.
Sinais mais comuns:
• sangramento ao escovar ou usar fio dental
• gengiva avermelhada ou inchada
• sensibilidade local
Nesta fase, não ocorre perda óssea. Com tratamento adequado e controle do biofilme, a gengiva retorna à saúde.
Gengivite: A Porta de Entrada
Diferente da periodontite, a gengivite (inflamação apenas na gengiva, sem perda óssea) é quase universal. Em adolescentes, a prevalência chega perto de 100% durante a puberdade devido a alterações hormonais combinadas à higiene precária. Em adultos, é a condição precursora que, se não tratada, evolui para os quadros de periodontite onde observamos perda óssea.
Periodontite: quando o suporte do dente é comprometido
Se a inflamação persiste, pode atingir estruturas mais profundas, incluindo o osso que sustenta o dente. Essa condição é chamada periodontite.
De acordo com os dados da Academia Americana de Periodontia (AAP), em colaboração com o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças), a prevalência de doenças periodontais em adultos com 30 anos ou mais é de aproximadamente 47,2%
Em média, 47,2% dos adultos com 30 anos ou mais sofrem de periodontite. Isso significa que quase 1 em cada 2 pessoas nessa faixa etária possui a doença em algum nível.
1. Divisão por Gravidade
A periodontite não é uniforme; ela se manifesta em diferentes níveis de destruição dos tecidos:
Leve: Afeta cerca de 8,7% da população.
Moderada: É a forma mais comum, atingindo 30% dos adultos.
Grave: Cerca de 8,5% apresentam perda severa de suporte ósseo.
2. O Fator Idade: O Acúmulo de Danos
A prevalência é “cumulativa” — quanto mais vivemos, mais tempo os tecidos ficam expostos a fatores de risco:
Adultos jovens (30+): A taxa de 47,2% é a base.
Idosos (65+): O número dispara para 70,1%. Sete em cada dez idosos têm periodontite, sendo a maioria nos níveis moderado ou grave.
3. Diferença entre Sexos
Os dados mostram uma disparidade clara no cuidado ou na resposta biológica:
Homens (56,4%): Têm uma prevalência significativamente maior.
Mulheres (38,4%): Apresentam taxas menores, o que pesquisadores frequentemente atribuem a melhores hábitos de higiene e visitas mais frequentes ao dentista.
A Periodontite pode levar a:
• perda de osso ao redor dos dentes
• retração gengival
• mobilidade dentária
• perda dentária em casos avançados
A periodontite não depende apenas da presença de bactérias. A forma como o organismo reage à inflamação é determinante para a evolução da doença
Nem sempre a quantidade de placa define a gravidade
Algumas pessoas apresentam muito biofilme e pouca destruição óssea. Outras, mesmo com higiene adequada, podem desenvolver perda de suporte dentário mais severa.
Isso acontece porque a doença periodontal é resultado da interação entre bactérias e a resposta biológica de cada indivíduo.
Por que algumas pessoas têm mais risco?
A presença de biofilme é o principal fator para o início da inflamação. Porém, a perda de osso e a progressão da doença dependem de fatores individuais, chamados fatores de risco.
Entre os principais:
• diabetes
• tabagismo
• predisposição genética
• alterações nutricionais ou imunológicas
• uso de alguns medicamentos
• envelhecimento
• doenças sistêmicas como hipertensão e insuficiência renal
Pacientes com condições sistêmicas controladas respondem melhor ao tratamento do que pacientes com doenças descompensadas.
Por isso, a saúde geral do organismo influencia diretamente a saúde bucal.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é realizado por meio de exame clínico detalhado e exames complementares, avaliando características como:
• cor e textura da gengiva
• presença de sangramento
• profundidade do sulco gengival
• nível ósseo de suporte
• condições locais que favorecem o acúmulo bacteriano
Esse conjunto de informações permite estabelecer o plano de tratamento mais adequado para cada pessoa.
Tratamento: controle da causa e preservação dos dentes
A posição oficial da Academia Americana de Periodontia (AAP) é de que a preservação dos dentes naturais deve ser a prioridade absoluta no planejamento de qualquer tratamento odontológico.
O tratamento periodontal tem como principal objetivo controlar e desorganizar o biofilme bacteriano, interrompendo a inflamação e evitando a progressão da doença.
Para permitir a reparação periodontal, todos os depósitos (placa bacteriana e tártaro) devem ser removidos das superfícies dentais por meio da limpeza profissional.
Na limpeza profissional, o dentista realiza uma limpeza sistemática de todas as superfícies dentárias. Na periodontite, é especialmente importante limpar e alisar a superfície da raiz abaixo da margem gengival, pois este local está colonizado por bactérias.
Além disso, tudo o que poderia dificultar a boa higiene bucal caseira é removido. Isso inclui depósitos de tártaro acima da margem gengival e bordas salientes de coroas ou restaurações.
A primeira limpeza profissional dos dentes raramente pode ser realizada de uma só vez. Para pacientes com periodontite grave, várias consultas são agendadas.
Quando diagnosticada precocemente, a doença gengival pode ser controlada e os dentes podem ser preservados por toda a vida.
Saúde gengival e saúde geral caminham juntas
O equilíbrio do organismo influencia diretamente a resposta da gengiva às agressões externas. Com o avanço da idade, a capacidade de resposta inflamatória pode se modificar, tornando o acompanhamento preventivo ainda mais importante.
Cuidar da gengiva é cuidar da saúde como um todo!
Saúde não se mantém sozinha. Ela é conduzida
A manutenção periodontal é o que garante estabilidade, previsibilidade e longevidade ao seu tratamento.
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